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“Vamos oprimir o pobre e o justo”

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“Vamos oprimir o pobre e o justo” – Uma leitura do livro da Sabedoria 1,16-2,20

Introdução
O relatório preliminar do ano de 2017 da Comissão Pastoral da Terra (CPT) indica que, naquele ano, 65 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo. Por exemplo, em Colniza, no Mato Grosso, em abril, nove posseiros e agricultores foram executados. Em Pau D’Arco, no Pará, em maio, foram assassinados dez trabalhadores rurais. Em Vilhena, Rondônia, três trabalhadores rurais foram mortos. E já em 2018, no dia 24 de janeiro, um líder do MST foi assassinado em Iramaia, na Chapada Diamantina, interior da Bahia.

Aqueles que reivindicam seus direitos continuam sendo ameaçados e eliminados. Mas isso é divulgado somente pela imprensa local e não chega ao conhecimento da maioria da população brasileira. O pior é que alguns insultam e caluniam as pessoas assassinadas, tachando-as de bandalheiras e insurgentes.

O Antigo Testamento também registra acusações, calúnias, perseguições e violências contra os justos. Por exemplo, o livro da Sabedoria, escrito em Alexandria por volta do ano 30 a.C., apresenta o pensamento e a ação dos ímpios (injustos) que oprimem e perseguem os justos: “Vamos oprimir o pobre e o justo e não poupar as viúvas ou respeitar os cabelos brancos do ancião. Nossa força seja a lei da justiça, pois o fraco é inútil, não há dúvida” (Sb 1,10-11).

Os ímpios usam de violência para matar os justos: “Vamos submeter o justo a insultos e torturas, para sabermos de sua serenidade e avaliarmos sua resistência. Vamos condená-lo a morte humilhante, pois, segundo suas palavras, haverá quem olhe por ele” (Sb 2,19-20). Quem são os ímpios? Diante da realidade sofrida do Brasil, na qual muitos “justos” continuam sendo brutalmente assassinados, podemos nos perguntar: qual o pensamento e a ação do ímpio de ontem e de hoje?


O ímpio, o justo e o pobre
Na literatura sapiencial, o termo ímpio ocorre com maior frequência e aparece em oposição ao justo e ao pobre:

– “O ímpio faz intriga contra o justo, e contra ele range os dentes. […] Os ímpios desembainham a espada, preparam o arco para fazer cair o pobre e o indigente, para assassinar o homem reto em seu caminho” (Sl 37,12-13);

– “Os ímpios diziam a Deus: ‘Afasta-te de nós. O que poderia fazer-nos Shadai?’ Mas Deus tinha enchido a casa deles de bens. Que o conselho dos ímpios se afaste de mim. Os justos verão e se alegrarão, o inocente zombará deles” (Jó 22,17-19);

– “O caminho dos justos brilha como a aurora, e sua luz vai ficando mais forte até o nascer do dia. O caminho dos ímpios é escuro. Eles não sabem no que irão tropeçar” (Pr 4,18-19).

Nesses provérbios, o ímpio está em oposição ao justo e ao pobre e os explora e oprime. Ele pratica o mal e está longe de Deus: “O orgulho do ímpio se acende contra o humilhado. Mas que sejam apanhados nas intrigas que planejaram. Por que o ímpio se orgulha da ambição de sua alma, e o homem ambicioso blasfema contra Javé? O ímpio é arrogante de rosto e incapaz de refletir: Deus não existe! Tudo não passa de devaneios” (Sl 10,2-4).

Na realidade, apesar de viver longe de Deus, o projeto do ímpio vai bem e ele vive melhor do que os outros. Ele mesmo declara: “Jamais vacilarei. De geração em geração, nunca sofrerei calamidade” (Sl 10,6). Pratica tranquilamente a falsidade e a perversidade contra o justo e o pobre: “Eis que sua boca está cheia de enganos e fraudes, sua língua esconde maldade e opressão. Ele fica de tocaia no curral, em lugares secretos, para matar o inocente” (Sl 10,7-8).

Diante dessa realidade, o justo e o pobre têm até inveja: “Quanto a mim, por pouco meus pés tropeçavam, quase dei um passo em falso, porque senti inveja dos arrogantes, vendo a prosperidade dos ímpios. Pois para eles não existem sofrimentos, até ao morrer seus corpos são robustos e sadios. A fadiga dos mortais não os atinge, nem conhecem a aflição dos outros homens. Por isso seu colar é o orgulho, e se cobrem com as vestes da violência” (Sl 73,2-6; cf. Jó 21,1-13).

Há um fato, porém: “O salário do justo conduz para a vida, mas o ganho do ímpio leva ao pecado” (Pr 10,16); “É boa a riqueza em que não há pecado; mas, na opinião do ímpio, a pobreza é má” (Eclo 13,24). A injustiça social, a violência e o ganho ilícito da riqueza, praticados pelos ímpios, tanto no campo como na cidade, são testemunhados pelos livros proféticos e sapienciais.

No livro de Jó, por exemplo, lemos: “Os ímpios mudam os marcos das divisas, roubam os rebanhos e os levam a pastar. Levam embora o jumento que pertence ao órfão e penhoram o boi que é da viúva. Eles desviam os indigentes para fora do caminho, e todos os pobres da terra têm de se esconder. Como asnos selvagens no deserto, eles saem para o trabalho; desde o amanhecer vão em busca de alimento, e a estepe dá pão para seus filhos. Fazem a colheita no campo e recolhem as sobras na vinha do ímpio” (Jó 24,2-6). É a dura realidade de injustiça social e violência no campo e na cidade!

É nesse contexto que se entende a insistência da literatura sapiencial: Deus premia o justo e julga e castiga o ímpio! Essa forma de pensar está em continuidade com a tradição profética do “dia de Javé” (Am 5,18):

– “Veja: Deus é poderoso e não despreza o poder do coração. Ele não deixa o ímpio viver e faz justiça aos pobres. Ele não tira seus olhos dos justos, mas os faz sentar para sempre no trono dos reis, e são exaltados” (Jó 36,5-7);

– “Tesouros injustos não trazem proveito, mas a justiça livra da morte. Javé não deixa o justo passar fome, mas reprime a ambição dos ímpios” (Pr 10,2-3);

– “Vi o ímpio triunfante espalhar-se como árvore nativa e frondosa. Mas passou, e eis que já não existe; procurei-o, e não mais o encontrei. Observe o íntegro, veja o homem direito, porque existe uma descendência para o homem pacífico. Quanto aos culpados, serão destruídos todos juntos, e a descendência dos ímpios será cortada” (Sl 37,35-38);

Por Centro Bíblico Verbo
Fonte: http://www.vidapastoral.com.br

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