Ascensão do Senhor!

Jesus rompeu o muro da morte no nosso chão existencial, e de retorno ao Pai Eterno, faz da sua igreja uma comunidade Instituída (histórica a concretizar-se no tempo e no mundo), ao mesmo tempo que Misteriosa (escatológica, estigmatizada pelo sagrado e eivada do anseio sobrenatural de vida eterna.

    A igreja, então dá os primeiros passos na História da Salvação. Recebe de Jesus a Missão de “ensinar” todos os povos (universalmente): “Eúntes...docete1 omnes gentes...( a partir de então, “Ide; Ensinai todos os povos ...”) para que sigam o “Meu delineamento substancial”, uma vez que os destinatários se encontram em todos os confins do universo. É necessário que haja o Intérprete-testemunha por excelência para dar assistência à sublime Missão: “Enviarei o Espírito Santo da Verdade, o Paráclito”.

- A história da salvação deve ser, mais do que qualquer outra história, “bem contada”! Pois, quando narrada descomprometidamente poderá gerar em nós discípulos, um contrassenso de firmeza no Magistério da Igreja, e resulta na prática da oligopistia (fé vacilante) que distancia o discernimento do que é trigo e do que é joio...

Jesus não deixou o céu (que está na sua Missão) quando veio a nós, (cumpri-La), nem nos deixou quando retornou ao céu, ( após concretizá-La). Ele afirmou: “permaneço convosco todos os dias...”

São Paulo a caminho de Damasco sentiu um impacto radicalmente conversional. De repente, a “Voz presente” daquele Cristo que ele veementemente, combateu, se fez histórico-misteriosamente, ouvir:
 - Saulo, Paulo2, por que Me persegues?

E lhe mostrou, numa rapidez de visão como de relâmpago, a felicidade do céu. Paulo, então, se fez comprometido com a dimensão histórica no Mistério da Salvação. Passou a vivenciar a igreja-algo- como Cristo-Teândrica, quer dizer: inseparavelmente humana (na temporalidade), e divina (para a eternidade).

Jesus: Verbo divino ( ...o Verbo era Deus ) Jo, prólogo
             Encarnado humanamente (...o Verbo se fez Homem)

O Cristo Jesus glorificado por concluir Sua Missão aqui na terra, é a alma da igreja. Assim, o retorno do Cristo ao Pai do céu não deixa órfãos os filhos gerados no batismo (mergulho da vivificação). Batizados que somos ou seremos, tomamos parte ativa do processo Teândrico da igreja que nos envolve no mistério dos Sacramentos.

(“Virigalilaei”) “Homens da Galileia por que estais aqui a olhar para o céu?” ( At 1, 11)?

É importante o propósito de usar-se, então, o verbo olhar ( tanto no Hebraico: Hipit, quanto no grego: blépontes, quanto na vulgata ( latim): adspicientes, e não usar o verbo ver: hebraico Raá = (ver), grego: Diacrino = (ver), latim: vidére = ( ver).

 Os apóstolos estavam com saudade da presença marcante e insubstituível de Jesus. Por Este eles foram formados discípulos (designados pelo termo grego: Mathetai) que, por sua vez, devem formar “outros” (que assim serão designados por: Matheteúo).

Aqueles homens da Galileia “olhavam” (para o céu, por uma razão simples) e não conseguiam ainda ver (com o espírito, com a responsabilidade e com o compromisso devidos) a Missão de que estavam investidos...Eles agora eram igreja Teândrica!

Essa nova realidade eles vão precisar “ver” messianicamente (“assim como o Pai Me enviou, Eu também vos envio”!).

A igreja é o método escolhido pelo Verbo Eterno para revelar o Pai que está no céu. Encarnando-se o Verbo se fez à nossa semelhança, atrelou-se à nossa existência temporariamente a fim de nos tornar herdeiros da Sua, eternamente!

Então para que insistir em “olhar”, para “onde”?! ... quando já nos podemos “ver” com Ele através da visibilidade do seu inefável gesto de Resgate (ó Piedoso Pelicano!), o que nos remete ao cômputo da igreja caminhando entre o visível e o invisível, entre o perceptível e a imortalidade.

Assim, resta-nos, cada um de nós, caminhar, em Solene Liturgia, acompanhado por um canto angelical na perspectiva de viver o êxtase da Eterna Harmonia:

“...com amor eterno Eu te Amei! Dei a Minha vida por Amor
...agora, vai! Também Ama o Teu irmão...!”
Com a sua proteção e com a nossa fé, levamos aos quadrantes do universo o sonoroso hino: Há Deus – Amor!

1Os dois verbos estão no “imperativo”, portanto traduz-se: Ide, ensinai.
2O “perseguidor” citado tinha dupla cidadania : a) palestinense: Saulo; b) Romana: Paulo.

Mons. Pedro Ferreira da Costa.
Vigário Paroquial
Paróquia São João Batista/ Natal-RN
Ascensão do Senhor 2020!

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