CRISTIANISMO: DO CAMINHO À PONTE

A história do cristianismo foi tal que era conhecido como “o caminho”, nas comunidades primitivas. Hoje queria refletir a necessidade de pensarmos em pontes. Não é nenhuma novidade que pontes são necessárias para superar acidentes geográficos ou outras barreiras, sejam naturais, sejam artificiais. Também não é novo pensar que existem pontes espirituais, que nos levam a atravessar as indiferenças da vida e a tocarmos o divino. Mas como se formam as pontes e, por que elas são tão necessárias em nossos tempos?

Para pensarmos nas pontes, proponho primeiro um olhar sobre o acidente, a barreira, que está entre dois pontos a serem conectados. Em nossos corações quando dizemos "não gostamos de" algo/alguém, significa que há um incômodo, um desprazer, uma negação desse algo/alguém. Assim se formam as barreiras. Alguns gostos são fáceis de serem adaptados, outros são de uma dureza incrível para modificação. Quando podemos mudar um gosto, não existem mais barreiras e haverá uma ligação comum entre dois pontos distantes: um caminho. Quando os gostos são intransponíveis, nós, cristãos, temos a obrigação de construir pontes. E por que hoje precisamos de tantas pontes? Porque estamos criando, gerações após gerações, crianças que têm suas vontades sempre satisfeitas. Assim, a expressão “eu não gosto” está à plenos pulmões em nossa sociedade. Ocorre que, quanto mais vezes repetimos "eu não gosto disso", "eu não gosto daquilo", "eu não gosto desse", "eu não gosto daquele", quanto mais vezes for, mais muros estamos construindo. No fim, acabamos murados por todos os lados e nós ficamos aprisionados em nós mesmos. Quanto mais egocêntrica a sociedade, mais muros dividindo as pessoas são construídos.

Bom, como já havia ali refletido, e agora especificamente falando de relações interpessoais (desculpem-me o atrevimento, eu não sou especialista no tema), eu tenho visto muitos muros se formarem nas relações entre as pessoas. Parte pela a frieza dos teclados e telas de smartphones e computadores, que parecem serem meios de comunicação que estão desensinando a o ser humano a olhar nos olhos dos outros, parte por respeito humano ou algum tipo de repressão moral/ética que impeça a franqueza de ter seu espaço na relação, de tomar seu lugar entre as pessoas. Parece-me óbvio, que o uso exagerado das redes sociais criou uma geração de deuses, de pessoas perfeitas. Quando vemos a pessoa real, acabamos nos decepcionando e criando uma grande barreira. Depois, existem as relações de trabalho. Alguém pode dizer: eu não posso dizer isso que me desagradou a meu chefe pois ele me porá na rua. Alguém aí já engoliu seco para evitar o desemprego? Outras relações sociais que se formam de maneira hierárquica sofrem do mesmo mal.

Bom, exposta a situação, pensemos: devemos sempre sermos honestos conosco. A priori, se alguém nos feriu, simplesmente anunciemos: você me feriu agindo assim. Pronto e ponto final. Se o seu interlocutor for um amigo de verdade, ele vai entender e vai, sempre que possível, se emendar. Se não for possível criar um caminho direto, como esse, temos de nos valer das pontes. Criar pontes significa transpor as barreiras. Estas barreiras podem ser tão altas que é preciso construir a ponte. A ponte pode ser transitória ou permanente: enquanto construímos as pontes, vamos tentando quebrar as barreiras com a oração. O agir cristão, me parece, deve ser assim. Onde puder ser caminho, que seja logo. Onde precisar de pontes, que se construam logo, mas que não deixemos de tentar, ao menos, diminuir as barreiras entre os irmãos.

Apenas um detalhe para terminar: dizer “você me feriu agindo assim” exige do cristão um processo de humildade. Se sair no calor da emoção, ao invés de construir caminhos/pontes, é capaz de construir muros ainda mais altos, cujo esforço para se fazer a ponte depois é ainda mais complexo. A oração é imprescindível para esse diálogo franco entre amigos, entre irmãos. E o tempo é um bom conselheiro! Que procuremos sempre o momentos certo, a pessoa certa e o jeito certo de construirmos caminhos e pontes.

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