AMAR COMO O OUTRO DESEJA SER AMADO

Estava pensando nesses dias sobre uma "regra de ouro" comumente evocada na formação moral de crianças e adolescentes, com plena eficácia também para adultos. Ela diz: "trate o outro como você gostaria de ser tratado". Tem seu mérito, mas é preciso cuidado. Sua aplicação indiscriminada pode ser desastrosa em nosso mundo atual. Por que digo isso? Porque estamos em um mundo em que os valores podem se distinguir inclusive na menor (quantitativamente) das sociedades: a família.

E é justamente na família que aprendemos a lidar com isso. Quem de nós nunca ganhou um presente da namorada, do namorado, que nos deixou em situação constrangedora?

Digo isso porque a melhor das intenções está contida naquele presente, não obstante, aquele presente reflete o que o outro gostaria que você fosse e não o que você realmente é. Algumas fragrâncias não são usáveis por você, embora fosse desejada pelo outro que você pudesse usar. Aqui se aprende, no espírito da sinceridade amorosa, que você não gostou do perfume. Pode ser uma decepção para quem te ofereceu mas, se encarado com amor, será um aprendizado. Tudo depende da forma que se expõe o tema e de quanto amor está envolvido na relação. Esse é um caso hipotético de um presentinho, mas a questão atitudinal é ainda mais complexa. Por vezes vamos deixando passar uma atitude pequena que nos desgostou de um amigo, de um namorado ou namorada ou mesmo do cônjuge. Isso se amontoa que é uma beleza! O outro achando que está lhe fazendo um bem.... está mesmo é juntando sujeira para baixo do tapete. Uma lição que eu e Elker aprendemos: falar. Não tardar a falar. Com amor! O outro não é adivinho. Ele precisa saber o que te fere. E isso se aplica nas relações mais caras que temos: na nossa família, entre os amigos, no trabalho etc.

O problema de tratar o outro como gostaria de ser tratado é que ele pressupõe valores idênticos. E isso está cada vez mais longe de acontecer. E teremos de conviver bem respeitando as diferenças de valores. Eu arriscaria dizer que já fui muitas vezes vítima dessa situação. Achei que os valores do outro eram iguais aos meus e os tratei como eu gostaria de ser tratado.... desastre! Feri. Sem querer, mas feri... Acabei também ferido e mal tratado. Bom, e que solução temos para essa nova forma de se relacionar? Preciso invocar aqui o tratamento proposto por Jesus: amar o outro como a si mesmo. Vejo que a frase não fala de tratar o outro, mas de AMAR o outro. E isso é, pasmei tantas vezes em observar, diferente para cada um de nós. O amor para uns deve ser expresso em um conjunto de atitudes, para outros, em um conjunto de frases, para outros ainda, em um simples olhar.... Então amar a nós mesmos significa, antes de mais nada, refletir esse amor do jeito que gostamos. Quando aplicamos ao outro, devemos transpor a frase inteira: refletir nosso amor do jeito que o outro gosta. Não é fácil! É preciso muita humildade, pois costumamos dizer que todos têm de me aceitar do jeito que eu sou.... mas isso é uma tremenda demonstração de egoísmo. Eu tenho de me aceitar do jeito que eu sou e tenho de ceder um bocado para poder me relacionar com os outros, que são do jeito que são. Um meio termo! Uma ponte ligando dois mundos. Se ficar apenas como eu sou é fácil me tornar ilhado ou "tribado" com meia dúzia de pessoas mais parecidas.

Minha relação com os outros depende de eu conhecer melhor o outro. Depende de eu aceitar quando o outro fala que não gostou de uma atitude minha ou de um presente que ganhei. Isso vai estreitando os laços numa confiança mútua de que ambos estão investindo numa relação humana verdadeira e duradoura.

É preciso uma atualização da regra de ouro: tratar o outro como ele gostaria de ser tratado. Isso motiva o outro, o alegra, o torna próximo e, de quebra, treina nossa humildade e nossa paciência. Mas vou um pouquinho além para demarcar um conjunto de valores. Amar o outro sem limites e tratar o outro com a demonstração de nosso amor na forma que o outro aprecia, sem, porém, tornar o outro mimado a ponto de estagnar seu crescimento por achar que já é suficiente. Ninguém nunca o será enquanto peregrinamos nessa terra.

Nessa quaresma, vamos investir mais nas relações humanas! Tratemos o outro como ele gostaria de ser tratado, dentro dos valores cristãos. Perdoemos e peçamos perdão.

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