BIOMAS E QUARESMA

Iniciamos nessa quarta-feira passada o tempo de conversão por excelência na Igreja. Não que os outros não o sejam, mas assim como há estações do ano (inverno, primavera, verão e outono), há também o tempo forte para os exercícios espirituais de introspecção e de conversão de nossos corações.

Há muito tempo nós descobrimos que no catolicismo existe um grupo às margens do lago (às margens do evangelho) que buscam milagres por ouvirem falar de um certo nazareno capaz de transformar suas vidas. Mas há um recorte nessa transformação: olhamos apenas as nossas dores, aquelas feridas que machucam e por isso buscamos uma cura. Mas a proposta do evangelho é de uma cura integral. Não somente das feridas, mas do nosso ser inteiro. É preciso nascer de novo e matarmos o homem velho que existe em nós. A morte não deixa dúvidas: aniquila os órgãos feridos, mas também aqueles que estão bons, em pleno funcionamento. E para que tal radicalidade? Para o ruim ficar bom e para o bom ficar ótimo. A morte é uma falência completa à espera da ressurreição. Muitos de nós se agarram aos órgãos sãos para anunciar Jesus. Muitos de nós se agarram aos órgãos com problemas para buscar uma cura através de Jesus. Todos somos caminheiros nessa terra, nesse tempo que Deus nos deu aqui para testemunharmos o amor d’Ele por nós. Muitos de nós, ainda, preferem se digladiar dizendo ser mais importante prestar atenção aos órgãos que estão bons, como se todos os órgãos de todos os irmãos estivessem bons. Outros, só querem compaixão (co+paixão=que alguém partilhe da mesma dor que ele) e assim os ajude a dividir o peso da cruz. Assim se forma a divisão na Igreja. Eu acho isso... eu acho aquilo... e achando, sem caridade, a gente vai afastando os irmãos das margens e os despedindo, sem oferecer o pão.

CRISTIANISMO: DO CAMINHO À PONTE

A história do cristianismo foi tal que era conhecido como “o caminho”, nas comunidades primitivas. Hoje queria refletir a necessidade de pensarmos em pontes. Não é nenhuma novidade que pontes são necessárias para superar acidentes geográficos ou outras barreiras, sejam naturais, sejam artificiais. Também não é novo pensar que existem pontes espirituais, que nos levam a atravessar as indiferenças da vida e a tocarmos o divino. Mas como se formam as pontes e, por que elas são tão necessárias em nossos tempos?

Para pensarmos nas pontes, proponho primeiro um olhar sobre o acidente, a barreira, que está entre dois pontos a serem conectados. Em nossos corações quando dizemos "não gostamos de" algo/alguém, significa que há um incômodo, um desprazer, uma negação desse algo/alguém. Assim se formam as barreiras. Alguns gostos são fáceis de serem adaptados, outros são de uma dureza incrível para modificação. Quando podemos mudar um gosto, não existem mais barreiras e haverá uma ligação comum entre dois pontos distantes: um caminho. Quando os gostos são intransponíveis, nós, cristãos, temos a obrigação de construir pontes. E por que hoje precisamos de tantas pontes? Porque estamos criando, gerações após gerações, crianças que têm suas vontades sempre satisfeitas. Assim, a expressão “eu não gosto” está à plenos pulmões em nossa sociedade. Ocorre que, quanto mais vezes repetimos "eu não gosto disso", "eu não gosto daquilo", "eu não gosto desse", "eu não gosto daquele", quanto mais vezes for, mais muros estamos construindo. No fim, acabamos murados por todos os lados e nós ficamos aprisionados em nós mesmos. Quanto mais egocêntrica a sociedade, mais muros dividindo as pessoas são construídos.

A ORAÇÃO E O SOFRIMENTO HUMANO

Hoje faço uma reflexão sobre o sofrimento humano. De início, tomo emprestado, quase como por analogia, a estruturação de pessoa humana do padre Vaz, em particular, a categoria de estruturas. Mas não serei técnico. Para o autor, essa categoria é formada por corpo (próprio), psiquismo e espírito. Trazendo, grosseiramente (não é tecnicamente) para o dia a dia: o homem tem um corpo, tem emoções e tem espiritualidade. Creio nessa estrutura. A divisão em categorias foi mesmo adotada pelo pensamento cartesiano (tudo divido, cada qual em seu quadrado). Assim, há médicos que tratam dos males físicos, há médicos que tratam dos males psíquicos e há médicos que tratam de males espirituais (a formação aqui não é em medicina, propriamente). Quando o nosso corpo está em sofrimento, vamos ao médico do corpo e tomamos remédios. Quando nossas emoções estão em sofrimento vamos ao médico psiquiatra ou a um psicólogo. Quando a fé titubeia, procuramos o padre, o pastor, o mentor espiritual.

SAL: SABOR E CONSERVA

Hoje a Boa Nova trata do Sal e da Luz. Vamos explorar um pouco a questão do sal.

O sal era um importante bem para os povos primitivos pois servia para evitar que alguns alimentos se estragassem.
Com algum exagero, podemos dizer que suas propriedades de conservação tornaram possível a sobrevivência da espécie humana. O sal é tema tão importante para a antiguidade que, até mesmo o nome salário, vem da porção de sal que era recebida pelo trabalhador no fim de um ciclo de trabalho. O sal era mesmo uma iguaria. Pois bem, ser sal da terra é mais que salgar quem está ao nosso redor. Ser sal da terra é ser uma iguaria para todos. O valor do sal é incomensurável aos olhos de Deus.

Mas existem problemas associados ao sal. Se, por exemplo, a salmoura tiver uma concentração de sal muito alta, nosso corpo pode desenvolver uma hipertensão. O evangelho trata apenas do caso oposto, onde o sal não é capaz de salgar. Isso só acontece com sal impuro, com sal estragado, com o sal maculado. O sal fica insosso. O sal não é capaz de dar gosto. Amplio aqui a reflexão para o caso do sal que está em excesso de concentração.

SOMENTE DEUS É BOM

Somente Deus é bom. A impressionante afirmação de Jesus, diante do jovem rico, deve ser exclamada e nos levar a uma reflexão. Antes de discorrer sobre isso, aviso que não uso aqui o esteio filosófico que o tema requer. Isso me permite opinar sem balizas pre-estabelecidas. O que se segue vem mais do coração do que dos livros.

Hoje, vendo algumas reportagens sobre o assassinato de um ambulante que defendera um homosexual, um dos autores do crime se qualificou como bom. Mas, o que seria ser bom? Que atributos existem para qualificar algo/alguém como bom ou mal? O ponto de partida é a existência de um modelo. Fazendo a comparação entre o que vemos e o modelo podemos qualificar a ação, a pessoa, o objeto etc. como bom ou não.

Versículo do Dia

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